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segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Política ou preconceito? Israel considera imoral o boicote contra produtos de seus assentamentos na Cisjordânia

By on 24.2.14
Muitos termos foram usados em referência ao crescente movimento de boicote a produtos israelenses fabricados em assentamentos na Cisjordânia e, em alguns casos, a todas as empresas e instituições de Israel. Uma palavra que requer um exame mais profundo é "imoral", usada pelo premiê Binyamin Netanyahu, no início deste mês, quando se referiu a essa campanha.
Boicotes têm uma história admirável de instrumento político não violento. No século 18, cristãos britânicos recusaram-se a comprar açúcar produzido por escravos. Os negros passaram a caminhar em vez de se sentar no fundo dos ônibus, no sul dos EUA. O desinvestimento ajudou a derrubar o apartheid.
Mas, para muitos israelenses, o boicote que vem à mente é o que os nazistas promoveram contra empresas de judeus, nos anos 30, que se propagou da Alemanha para o resto da Europa e além. Não entrar num café porque você não gosta da maneira como o patrão trata seus empregados é um ato de desaprovação. Agir de tal forma porque o patrão é judeu - ou negro, mulher ou gay - é discriminação.
Netanyahu não se opõe a todos os boicotes. Pelo contrário: ele é um ótimo líder quando se trata de insistir em sanções econômicas para pressionar o Irã e seu programa nuclear. Sob a acusação de imoralidade, que o premiê não é o único a fazer, está a crença de que o movimento é instigado pelo antissemitismo, que o alvo definitivo não é a política israelense, mas o direito de Israel existir.
"Há 70 anos, você dizia: 'Elimine os judeus'. Agora a ideia é: 'Elimine o Estado judeu'", disse Malcom Hoelein, vice-presidente da Conferência de Presidentes de Organizações Judaicas Americanas. "A maneira politicamente correta de ser antissemita é não dizer 'odeio os judeus', mas dizer 'odeio Israel'." Para Hoenlein e Mark Regev, porta-vozes de Netanyahu, Israel foi escolhido injustamente, pois violações de direitos humanos em outras partes do mundo e ocupações de terra em outros Estados por outros grupos étnicos são ignoradas.
"É moralmente duvidoso exigir que o Estado judaico respeite um padrão que você não exige de outros", disse Regev. "Vocês estão boicotando algum outro lugar onde a soberania é disputada ou escolhendo a dedo o país contra o qual vão dirigir a sua revolta moral?"
Segundo Omar Barghouti, que ajudou a criar o movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), em 2005, os ativistas têm todo o direito de escolher suas causas e para onde direcionar sua energia. "(Netanyahu) pode dizer o que quiser, mas imoral? Resistir à sua política imoral jamais pode ser imoral. A questão fundamental é: você está boicotando um grupo de pessoas com base na sua identidade ou um ato, uma companhia, um negócio, do qual discorda?"
"Temos três razões", disse ele, citando os objetivos do movimento: pôr fim à ocupação; assegurar a igualdade a cidadãos palestinos de Israel e promover o direito de retorno dos refugiados palestinos. "Se eliminarmos as três razões, não haverá boicote."
Muitos líderes israelenses não concordam com isso. Um acordo de paz propiciaria uma suspensão apenas temporária da campanha de isolamento, particularmente por parte daqueles que acham que deve existir um Estado único binacional entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão.
Em parte essa é a razão pela qual Netanyahu e outros partidários insistem que o reconhecimento de Israel como Estado judeu deve estar inserido em qualquer acordo com os palestinos. Quanto ao boicote, alguns israelenses acham que a resposta adequada - e mesmo moral - é combater o fogo com fogo.
Com os supermercados europeus rotulando os produtos israelenses fabricados na Cisjordânia e os fundos de pensão europeus deixando de trabalhar com bancos que fazem negócios nos assentamentos, Dani Dayan, líder do conselho dos colonos judeus, sugeriu que a empresa aérea israelense El-Al deva comprar aviões Boeing e não mais Airbus. "Não deve ser um movimento unilateral. Até agora, Israel adotou um enfoque 'meteorológico' - falamos muito, mas não fizemos nada para mudar. Mas boicotes não são chuva, podemos questioná-los", disse.

Do Estadão - Por Jodi Rudoren* - The New York Times/O Estado de S.Paulo

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